Poesia que flui em pétalas, não em pedras

​​Tânia Mara, em PARTO, conduz o leitor, vagarosamente, a uma verdadeira e original maiêutica. Não em uma concepção real, mas sim na parição de todas as mazelas que suportamos silenciosamente durante toda a vida. Jornada terrena que representa uma intensa gestação que pode ser longa, com partos intermitentes a cada ocasião que morremos pela ofensa não revidada, pelo injusta injúria proferida, ou ainda pela raiva não extravasada, pequenos atos que nos aniquila aos poucos até que venha a derradeira parteira nos ceifar. Ou uma gestação que pode ser curta, em um “Liberté” instantâneo de um simples “vá pro inferno” que, por si, faz parir na poesia tantos desaforos amontoados naqueles nós em nossas gargantas, que as impiedosas regras do bom convívio nos fazem engolir.

 

Nesses pequenos vai-vens, Tânia captura nossa atenção, identificando-se ao sofrimento cotidiano de cada um, seja pelo amor mal vivido, que culmina em um abandono que pesa como âncora e que nos impede de seguir rumo ao farol de outro amor, seja pelo ninho que certamente um dia ficará vazio, quando o coração se apertará pela filha que insinua um bater asas em voo solo, distante, rebento que até então era o foco exclusivo de todo amor possível e imaginável; momento em que todas as mães desejam inconscientemente jamais tê-los parido para continuar carregando-os no ventre eternamente...

 

Mais que um parto das próprias amarguras, Tânia coloca-se em paralelo àqueles que, mesmo cercados por dezenas de pessoas, permanecem em constante solidão no âmago de si mesmo, preferindo muitas vezes reservar-se no aconchego de sua individualidade a sucumbir-se às companhias vazias e fúteis.

 

Em tom forte e sincero, Tânia aos poucos se revela na Fênix renascida nas cinzas das angústias e alegrias de outrora, sopradas ao longe em cada poema escrito; poesias das quais quer extrair a suma essência, como revela em Paroles:

 

Quero nelas tanta fala

Tanta...

Que sejam tanta energia, flor e magia

Que sejam suspiros, amor e arrepios

Que sejam...

 

Para alento do leitor, que é levado por intensas contrações durante a leitura, a poetisa reserva para o final uma agradável surpresa, abrindo timidamente o flanco, no último poema, para revelar, como em enigma, os caminhos para aqueles que desejam verdadeiramente conquistar-lhe o coração que, mesmo quebrantado pelos intensos partos vividos, reserva amizade, calor, brandura, carinho, amor e, quiçá, segredos inimagináveis que fluem em pétalas, mas não em pedras.

 

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COORDENAÇÃO EDITORIAL E PROJETO GRÁFICO
Victor Prado

 

ASSISTÊNCIA EDITORIAL
Ana Teresa Costa e Juliana Previato

REVISÃO
Lígia Sene

FOTOS DA CAPA E CONTRACAPA

Igor do Vale

ARTEFATO EDIÇÕES
1ª ed. - Franca/SP,
Junho de 2018, 20 pg.

 

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